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Olhos
molhados,
pés em brasa,
membros cansados,
sol que tudo arrasa,
de lavrador a errante:
esta a sina do retirante...
Futuro
incerto,
fome
presente,
nem uma sombra por perto,
só um oásis na mente,
segue o heróico retirante:
só a morte detém esse gigante...
Em
vão o nordestino brada,
morre de fome seu filho tão querido,
em uma cova na beira da estrada
ele deposita seu pranto mais dorido,
mas Deus não atende sua prece vibrante:
muitas dores ainda açoitarão o retirante...

O
destino atinge finalmente,
com o coração cheio de esperança,
só um desejo ocupa sua mente,
trabalhar e alcançar a bonança,
essa é a história do retirante:
o mais desafortunado e sofrido viajante...
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Autor:
Lupércio Mundim
E-Mail:
lupercio@cultura.com.br
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